Quando pensamos em proteção solar, geralmente nossa atenção se volta para a pele. Protetor solar, chapéus, roupas com filtro UV – tudo isso faz parte da rotina de quem se preocupa com os danos causados pelos raios ultravioleta. No entanto, existe uma área do corpo que frequentemente fica esquecida nessa equação: os olhos.
A proteção ocular no verão vai muito além do conforto de não franzir os olhos diante do sol forte. Estamos falando de prevenção real contra doenças que podem comprometer sua visão ao longo dos anos. A exposição inadequada aos raios UV pode acelerar o desenvolvimento de catarata, contribuir para degeneração macular, causar queimaduras na córnea e ainda aumentar o risco de crescimento anormal de tecidos oculares. A boa notícia? Proteger seus olhos é mais simples do que você imagina – desde que você saiba exatamente o que fazer.
Índice
- Por Que o Verão é Mais Perigoso para os Olhos
- Riscos à Saúde Ocular no Verão
- Como Escolher Óculos de Sol Adequados
- Outras Medidas de Proteção Ocular
- Cuidados na Piscina e na Praia
- Perguntas Frequentes
Por Que o Verão é Mais Perigoso para os Olhos
Durante os meses de verão, a intensidade da radiação ultravioleta aumenta consideravelmente. Isso acontece porque o sol atinge a Terra em ângulos mais diretos, especialmente nas regiões próximas à linha do Equador – como é o caso de grande parte do Brasil. Mas não é apenas a radiação direta que preocupa.
O grande problema está nas superfícies refletoras. A areia da praia reflete até 15% dos raios UV, a água pode refletir entre 10% e 30%, e superfícies claras como concreto podem devolver até 12% da radiação. Isso significa que seus olhos estão sendo atingidos não apenas pela luz solar direta vinda de cima, mas também pelos raios refletidos vindos de baixo e dos lados. É uma exposição em 360 graus que muitas pessoas subestimam.
Importante Saber: Mesmo em dias nublados, até 80% dos raios UV conseguem atravessar as nuvens. Isso significa que a proteção ocular é necessária o ano todo, não apenas quando o céu está completamente aberto.
Além disso, passamos mais tempo ao ar livre durante o verão – seja na praia, na piscina, praticando esportes ou simplesmente caminhando pela cidade. Esse aumento no tempo de exposição, combinado com a maior intensidade da radiação, cria o cenário perfeito para danos cumulativos à saúde ocular.
Riscos à Saúde Ocular no Verão
A exposição excessiva aos raios UV não causa apenas desconforto imediato. Com o tempo, ela pode resultar em condições oftalmológicas sérias que afetam permanentemente sua visão.
Fotoceratite: A “Queimadura de Sol” nos Olhos
Fotoceratite
É uma inflamação dolorosa da córnea causada pela exposição excessiva à radiação UV. Os sintomas incluem dor intensa, vermelhidão, sensação de areia nos olhos, lacrimejamento e sensibilidade à luz. Geralmente aparece algumas horas após a exposição e pode durar de 24 a 48 horas.
Embora seja uma condição temporária na maioria dos casos, a fotoceratite repetida pode causar danos permanentes à córnea. Pessoas que passam muito tempo na praia sem proteção adequada ou que praticam esportes aquáticos estão particularmente em risco.
Catarata: O Envelhecimento Acelerado do Cristalino
Catarata
A exposição prolongada aos raios UV acelera a opacificação do cristalino, a lente natural do olho. Estudos mostram que pessoas com alta exposição solar ao longo da vida têm maior probabilidade de desenvolver catarata precocemente. Os sintomas incluem visão embaçada, halos ao redor de luzes e dificuldade para enxergar à noite.
Segundo a Organização Mundial da Saúde, estima-se que até 20% dos casos de catarata possam estar relacionados à exposição excessiva aos raios UV. É uma condição evitável com proteção adequada desde cedo.
Degeneração Macular Relacionada à Idade
Degeneração Macular
A radiação UV contribui para o dano oxidativo na mácula, a região central da retina responsável pela visão de detalhes. Isso pode acelerar o desenvolvimento de degeneração macular, uma das principais causas de perda de visão em pessoas acima de 60 anos.
Para entender melhor essa condição e seus riscos, confira nosso guia completo sobre saúde ocular na terceira idade.
Pterígio e Pinguécula: Crescimentos Anormais
O pterígio é um crescimento anormal de tecido na superfície do olho, geralmente começando no canto próximo ao nariz e avançando em direção à córnea. Embora seja benigno, pode afetar a visão se crescer sobre a pupila. A pinguécula é semelhante, mas não invade a córnea – aparece como uma elevação amarelada na conjuntiva.
Ambas as condições estão diretamente relacionadas à exposição prolongada aos raios UV, ao vento e à poeira. São especialmente comuns em pessoas que trabalham ao ar livre ou praticam esportes aquáticos sem proteção adequada.
Conjuntivite Actínica
Menos conhecida, mas igualmente incômoda, a conjuntivite actínica é uma inflamação da conjuntiva (a membrana que reveste a parte branca do olho) causada pela exposição aos raios UV. Provoca vermelhidão, irritação e sensação de corpo estranho nos olhos. Saiba mais sobre conjuntivite no verão e como preveni-la.
Como Escolher Óculos de Sol Adequados
Aqui está a verdade que muitos não sabem: nem todo óculos de sol protege seus olhos. Na verdade, óculos escuros de baixa qualidade podem ser mais prejudiciais do que não usar nada.
Isso acontece porque as lentes escuras fazem suas pupilas dilatarem (já que menos luz está entrando). Se essas lentes não tiverem proteção UV adequada, você está permitindo que mais radiação ultravioleta entre no olho dilatado – exatamente o oposto do que deveria acontecer.
O Que Procurar ao Comprar Óculos de Sol
1. Proteção UV400
Esta é a característica mais importante. Óculos com proteção UV400 bloqueiam 99% a 100% dos raios UVA e UVB. Procure sempre por essa especificação na etiqueta ou certificado do produto. Se o vendedor não consegue confirmar o nível de proteção UV, não compre.
2. Tamanho e Cobertura
Óculos maiores ou com hastes largas oferecem melhor proteção porque bloqueiam a luz lateral. Modelos envolventes são ainda melhores, especialmente para atividades na praia, piscina ou esportes ao ar livre. Lembre-se: quanto menor o óculos, mais raios UV entram pelas laterais e pela parte superior.
3. Lentes Polarizadas
Embora não ofereçam mais proteção UV do que lentes não polarizadas (desde que ambas tenham UV400), as lentes polarizadas reduzem o brilho refletido por superfícies como água, areia e asfalto. Isso melhora significativamente o conforto visual e reduz o cansaço ocular. São especialmente recomendadas para quem dirige, pesca ou pratica esportes náuticos.
4. Cor da Lente: Mais que uma Questão de Estilo
- Cinza: Reduz a intensidade da luz sem alterar significativamente as cores. Ideal para uso geral.
- Marrom/Âmbar: Melhora o contraste e a percepção de profundidade. Bom para esportes e direção.
- Verde: Oferece boa percepção de cores e reduz o brilho. Versátil para diversas condições.
- Amarelo/Laranja: Aumenta o contraste em condições de baixa luminosidade, mas não é ideal para dias muito ensolarados.
5. Certificação e Procedência
Compre óculos de fabricantes reconhecidos ou em óticas de confiança. Produtos falsificados ou de procedência duvidosa raramente oferecem a proteção UV prometida. No Brasil, procure pelo selo da INMETRO ou certificações internacionais.
Dica Importante: Se você usa óculos de grau, não deixe de investir em lentes com proteção UV ou em óculos de sol com grau. Usar óculos de sol sem grau sobre lentes de contato também é uma excelente opção para quem tem problemas de visão.
Para saber mais detalhes sobre como escolher o modelo ideal, confira nosso guia completo sobre óculos escuros.
Outras Medidas de Proteção Ocular
Óculos de sol são fundamentais, mas não são a única ferramenta de proteção. Uma abordagem completa envolve múltiplas camadas de cuidado.
Chapéus de Aba Larga
Um chapéu com aba de pelo menos 7 a 8 centímetros pode bloquear até 50% dos raios UV que atingiriam seus olhos. Combine isso com óculos de sol de qualidade e você terá uma proteção muito mais eficaz. Bonés com viseira frontal protegem menos porque deixam as laterais e a parte superior expostas.
Protetor Solar ao Redor dos Olhos
A pele ao redor dos olhos é extremamente delicada e propensa a danos solares. Use protetor solar facial de amplo espectro, tomando cuidado para não deixar o produto entrar nos olhos. Existem protetores específicos para a área dos olhos que são menos irritantes.
A pele das pálpebras também precisa de atenção especial. Câncer de pele nas pálpebras não é raro, e a prevenção começa com proteção solar adequada. Se você tem dificuldade em aplicar protetor muito próximo aos olhos, considere usar óculos de sol grandes que cubram também essa região.
Hidratação e Lubrificação Ocular
O calor do verão aumenta a evaporação das lágrimas, o que pode levar ao ressecamento ocular. Ar-condicionado, ventiladores e vento pioram ainda mais a situação. Mantenha-se hidratado bebendo água regularmente e considere o uso de colírios lubrificantes (lágrimas artificiais) para manter os olhos confortáveis.
Se você já tem tendência a olhos secos, converse com seu oftalmologista da Verlux Oftalmologia sobre opções de tratamento preventivo durante os meses de verão.
Horários de Exposição
Sempre que possível, evite exposição solar prolongada entre 10h e 16h, quando a radiação UV atinge seus níveis máximos. Se você precisa estar ao ar livre nesses horários, redobre os cuidados com proteção.
Cuidados na Piscina e na Praia
A diversão no verão frequentemente envolve água – seja na piscina, no mar ou em parques aquáticos. Mas esses ambientes trazem desafios específicos para a saúde ocular.
Cloro e Água da Piscina
O cloro usado para tratar piscinas pode irritar os olhos, causando vermelhidão, ardência e lacrimejamento. Embora o cloro seja necessário para eliminar bactérias, o pH desequilibrado da água pode piorar a irritação.
Como se proteger:
- Use óculos de natação sempre que mergulhar
- Evite abrir os olhos debaixo d’água sem proteção
- Lave os olhos com água limpa após sair da piscina
- Se usar lentes de contato, retire-as antes de nadar ou use óculos de natação vedados
- Nunca lave lentes de contato com água da piscina
Água do Mar
A água do mar contém sal, micro-organismos e, dependendo da localização, pode estar poluída. Tudo isso representa riscos para seus olhos.
Precauções importantes:
- Evite mergulhar em praias com sinalização de água imprópria
- Use óculos de natação ou máscara de mergulho
- Se água do mar entrar nos olhos, lave com água doce limpa assim que possível
- Não use lentes de contato no mar – além do risco de perder as lentes, micro-organismos podem ficar presos entre a lente e o olho
Areia nos Olhos
Grãos de areia podem arranhar a córnea, causando dor, vermelhidão e sensibilidade à luz. Se areia entrar nos seus olhos:
- Não esfregue os olhos – isso pode piorar a lesão
- Pisque várias vezes para estimular a produção de lágrimas
- Lave os olhos com água limpa ou soro fisiológico
- Se a irritação persistir ou piorar, procure atendimento oftalmológico
Cuidados com Crianças
Os olhos das crianças são mais sensíveis à radiação UV porque o cristalino ainda não está completamente desenvolvido, permitindo que mais radiação atinja a retina. Além disso, crianças passam mais tempo ao ar livre do que adultos.
Proteção para os pequenos:
- Invista em óculos de sol infantis de qualidade com proteção UV400
- Escolha modelos com hastes flexíveis e ajustáveis para maior conforto
- Use chapéus com aba larga
- Ensine desde cedo a importância da proteção ocular
- Leve sempre colírio lubrificante recomendado pelo oftalmopediatra
Para bebês menores de 6 meses, evite exposição solar direta. Use sombrinhas, tendas ou guarda-sóis e mantenha-os sempre protegidos. Saiba mais sobre saúde ocular infantil em nosso artigo especializado.
Quando Procurar um Oftalmologista Imediatamente
Alguns sintomas exigem atenção médica urgente:
- Dor ocular intensa que não melhora
- Perda súbita de visão ou visão muito embaçada
- Vermelhidão severa que piora rapidamente
- Sensação de corpo estranho que não melhora após lavar os olhos
- Secreção purulenta ou amarelada
- Halos ou flashes de luz
- Sensibilidade extrema à luz
Não espere os sintomas piorarem. Quanto mais cedo você buscar atendimento profissional na Verlux Oftalmologia, maiores as chances de evitar complicações.
Perguntas Frequentes
Sim, e muito. Lentes escuras fazem suas pupilas dilatarem porque menos luz está entrando. Se essas lentes não bloqueiam raios UV, você está permitindo que mais radiação ultravioleta entre no olho dilatado – causando mais danos do que se não estivesse usando óculos nenhum. Por isso é fundamental comprar óculos com certificação UV400 de fabricantes confiáveis.
Sim. Até 80% dos raios UV conseguem atravessar as nuvens, o que significa que seus olhos continuam expostos mesmo quando o sol não está visível. A proteção ocular deve ser uma prática durante todo o ano, não apenas em dias ensolarados de verão.
Embora seja menos arriscado do que nadar com lentes de contato sem proteção, ainda não é recomendado. Mesmo com óculos de natação, pode haver vazamento de água, e micro-organismos presentes na piscina podem ficar presos entre a lente e o olho, causando infecções graves. O ideal é usar óculos de natação com grau ou nadar sem lentes de contato.
Lentes polarizadas não oferecem mais proteção UV do que lentes não polarizadas, desde que ambas tenham proteção UV400. A diferença está no conforto visual: polarizadas reduzem o brilho refletido por superfícies como água, areia e asfalto, diminuindo o cansaço ocular. São especialmente úteis para quem dirige, pratica esportes náuticos ou passa muito tempo na praia.
Absolutamente. Os olhos das crianças são mais vulneráveis aos raios UV porque o cristalino ainda não está completamente desenvolvido, permitindo que mais radiação atinja a retina. Além disso, crianças passam mais tempo ao ar livre. Estudos mostram que até 80% da exposição UV ao longo da vida ocorre antes dos 18 anos, tornando a proteção na infância crucial para prevenir doenças oculares na vida adulta.
Nunca esfregue os olhos, pois isso pode arranhar a córnea. Pisque várias vezes para estimular a produção de lágrimas naturais. Lave os olhos delicadamente com água limpa ou soro fisiológico. Se a sensação de corpo estranho persistir por mais de algumas horas, se houver dor intensa, vermelhidão ou mudança na visão, procure um oftalmologista imediatamente – pode haver uma lesão na córnea que precisa de tratamento.
Sim, a água do mar pode conter bactérias, vírus e outros micro-organismos que podem causar conjuntivite ou outras infecções oculares. A melhor prevenção é usar óculos de natação ou máscara de mergulho e lavar os olhos com água limpa após o contato com água do mar. Em caso de vermelhidão persistente, coceira ou secreção, consulte um oftalmologista.
Aviso Médico: Este artigo tem caráter informativo e não substitui a consulta com um profissional de saúde. Para diagnóstico e orientação personalizada sobre proteção ocular, agende uma consulta com um oftalmologista na Verlux.