As oclusões venosas retinianas são a segunda causa mais comum de doenças vasculares da retina, atrás apenas da retinopatia diabética. Essa condição pode afetar tanto pacientes jovens quanto mais velhos e representa uma emergência oftalmológica que exige diagnóstico e tratamento adequados para preservar a visão.
A retina, camada de tecido nervoso que reveste o fundo do olho, precisa de suprimento sanguíneo constante para funcionar. Quando uma das veias que drena o sangue da retina fica bloqueada, o sangue não consegue sair adequadamente, causando vazamento, sangramento e inchaço que podem comprometer permanentemente a visão.
Segundo dados da Sociedade Brasileira de Retina e Vítreo, a oclusão venosa da retina afeta cerca de 16 milhões de pessoas no mundo, sendo mais comum após os 50 anos de idade. A detecção precoce e o tratamento adequado são fundamentais para minimizar a perda visual e prevenir complicações graves.
Índice
- O Que É Oclusão Venosa da Retina?
- Tipos de Oclusão Venosa
- Causas e Fatores de Risco
- Sintomas e Sinais de Alerta
- Complicações Potenciais
- Diagnóstico
- Tratamento
- Perguntas Frequentes
O Que É Oclusão Venosa da Retina?
A oclusão venosa da retina ocorre quando uma veia responsável por drenar o sangue da retina fica bloqueada, geralmente por um coágulo sanguíneo. Esse bloqueio impede que o sangue flua normalmente de volta ao coração, causando acúmulo de pressão nos vasos retinianos.
Como consequência, o sangue e outros fluidos vazam para dentro da retina, causando edema (inchaço) e hemorragias. Quando esse vazamento afeta a mácula — área central da retina responsável pela visão de detalhes — a visão fica significativamente prejudicada.
A condição pode ser isquêmica (mais grave, com maior perda de fluxo sanguíneo) ou não-isquêmica (mais leve), e essa classificação influencia diretamente o prognóstico e a escolha do tratamento.
Tipos de Oclusão Venosa
Existem dois tipos principais de oclusão venosa da retina, classificados de acordo com a localização do bloqueio:
Oclusão de Ramo da Veia Retiniana (ORVR)
ORVR - O Tipo Mais Comum
Representa cerca de 80% dos casos. Ocorre quando uma ramificação menor da veia retiniana fica bloqueada, geralmente no ponto onde a artéria e a veia se cruzam. O bloqueio afeta apenas uma parte da retina, causando perda visual em uma região específica do campo de visão.
Na ORVR, quando uma veia da retina fica bloqueada por um coágulo sanguíneo, o sangue proveniente da artéria não consegue drenar adequadamente. Isso resulta em sangramento e inchaço da retina na área afetada, reduzindo a visão naquela região.
O prognóstico da ORVR depende muito de onde ocorreu o bloqueio. Se a mácula não for afetada, muitos pacientes mantêm boa visão central. No entanto, se o edema macular se desenvolver, o tratamento imediato é fundamental.
Oclusão da Veia Central da Retina (OVCR)
OVCR - Mais Grave
Representa cerca de 20% dos casos. Envolve o bloqueio da veia central da retina, situada no nervo óptico, que drena todo o sangue da retina. Como afeta toda a retina, tende a causar perda visual mais significativa e tem maior risco de complicações.
A OVCR geralmente causa perda visual mais acentuada e súbita porque toda a drenagem sanguínea da retina está comprometida. Hemorragias extensas e edema macular grave são comuns, e o risco de desenvolver glaucoma neovascular (forma grave de glaucoma) é maior.
Causas e Fatores de Risco
A oclusão venosa da retina raramente ocorre sem fatores predisponentes. Na maioria dos casos, há condições subjacentes que aumentam o risco de formação de coágulos ou comprometem a saúde vascular.
Principais Fatores de Risco
ATENÇÃO AOS FATORES DE RISCO:
- Hipertensão arterial: Presente em 60-70% dos casos, é o fator de risco mais importante
- Diabetes mellitus: Aumenta significativamente o risco de oclusões vasculares
- Glaucoma: Pressão ocular elevada pode comprometer o fluxo sanguíneo retiniano
- Idade acima de 50 anos: A incidência aumenta progressivamente com a idade
- Arteriosclerose: Endurecimento das artérias que pode comprimir as veias adjacentes
Outros Fatores Importantes
- Hiperlipidemia (colesterol alto): Contribui para formação de coágulos
- Síndrome da apneia obstrutiva do sono: Pode causar flutuações na pressão ocular
- Doenças do sangue: Policitemia, leucemia, anemia falciforme
- Doenças autoimunes: Lúpus, vasculites
- Obesidade e sedentarismo: Aumentam risco cardiovascular geral
- Tabagismo: Prejudica a circulação sanguínea
- Desidratação: Pode aumentar a viscosidade sanguínea
É importante ressaltar que em pacientes jovens (abaixo de 50 anos) com oclusão venosa, a investigação deve ser mais ampla, incluindo pesquisa de trombofilias (tendência aumentada à formação de coágulos) e outras condições sistêmicas menos comuns.
Sintomas e Sinais de Alerta
O sintoma mais comum da oclusão venosa da retina é a perda súbita e indolor da visão em um olho. A severidade dos sintomas varia de acordo com o tipo e a extensão da oclusão.
Sintomas Característicos
- Perda Visual Súbita e Indolor: A visão pode ficar turva, embaçada ou apresentar áreas escuras (manchas) no campo visual. Na OVCR, a perda visual costuma ser mais acentuada e afetar toda a visão do olho. Na ORVR, pode afetar apenas parte do campo visual.
- Distorção Visual: Linhas retas podem parecer onduladas ou distorcidas, especialmente se o edema macular estiver presente. Esse sintoma é conhecido como metamorfopsia.
- Diminuição da Visão Central: Dificuldade para ler, reconhecer rostos ou realizar tarefas que exigem visão de detalhes, indicando comprometimento da mácula.
- Manchas ou Sombras na Visão: Áreas escuras ou flutuantes no campo visual, causadas por hemorragias dentro do olho ou na retina.
Quando Procurar Atendimento Urgente
EMERGÊNCIA MÉDICA: Procure um oftalmologista imediatamente se você experimentar perda súbita de visão, mesmo que parcial ou indolor. O tratamento precoce, idealmente nas primeiras 24-72 horas, pode fazer diferença significativa no prognóstico visual.
É importante destacar que a oclusão venosa não causa dor ocular. A ausência de dor não significa que a condição seja menos grave — pelo contrário, qualquer perda visual súbita requer avaliação oftalmológica urgente.
Complicações Potenciais
Se não tratada adequadamente, a oclusão venosa da retina pode levar a complicações graves que ameaçam permanentemente a visão. O acompanhamento oftalmológico regular é essencial mesmo após o tratamento inicial.
Principais Complicações
- Edema Macular: O inchaço da mácula causado pelo vazamento de líquido de vasos retinianos anormais é a principal causa de perda visual na oclusão venosa. Pode ser tratado com injeções intravítreas de medicamentos anti-VEGF ou implantes de corticoides.
- Glaucoma Neovascular: Complicação grave que ocorre quando novos vasos sanguíneos anormais crescem na íris e no ângulo de drenagem do olho, bloqueando o escoamento do humor aquoso. Isso causa aumento severo da pressão ocular, glaucoma de difícil controle e dor ocular intensa. Mais comum na OVCR isquêmica.
- Neovascularização Retiniana: Crescimento de novos vasos sanguíneos anormais na retina, que são frágeis e podem sangrar, causando hemorragia vítrea (sangramento dentro do olho) e obscurecendo a visão. Pode requerer tratamento com laser ou injeções intravítreas.
- Descolamento de Retina: Em casos raros, a tração causada por membranas fibróticas ou hemorragias pode levar ao descolamento da retina, condição que requer cirurgia urgente.
- Perda Visual Permanente: Se o tratamento for retardado ou se houver isquemia retiniana extensa, a perda visual pode ser irreversível, mesmo com tratamento posterior.
Diagnóstico
O diagnóstico da oclusão venosa da retina é feito através de exame oftalmológico completo e exames complementares. A avaliação precoce e precisa é fundamental para determinar a melhor estratégia de tratamento.
Exame Oftalmológico Completo
O oftalmologista especialista em retina realizará:
- Medida da acuidade visual: Para quantificar a perda visual
- Exame de fundo de olho (fundoscopia): Permite visualizar hemorragias retinianas, edema, áreas de isquemia e outros sinais característicos
- Tonometria: Medida da pressão intraocular para detectar glaucoma
- Biomicroscopia: Exame detalhado da retina com lentes especiais
Exames de Imagem Especializados
- Angiografia Fluoresceínica: Exame fundamental que envolve injetar um corante (fluoresceína) na veia do braço e fotografar a retina enquanto o corante circula pelos vasos sanguíneos. Permite identificar áreas de vazamento, isquemia e neovascularização, orientando o tratamento.
- Tomografia de Coerência Óptica (OCT): Exame não invasivo que produz imagens de alta resolução das camadas da retina, permitindo detectar e quantificar o edema macular. É essencial para monitorar a resposta ao tratamento.
- OCT Angiografia (OCT-A): Tecnologia mais recente que permite visualizar os vasos sanguíneos da retina sem necessidade de injeção de corante, sendo útil para avaliar perfusão retiniana.
Investigação Sistêmica
Como a oclusão venosa frequentemente está associada a doenças sistêmicas, seu oftalmologista pode solicitar:
- Exames de sangue: Hemograma completo, glicemia, perfil lipídico
- Medida da pressão arterial
- Investigação de trombofilias (especialmente em pacientes jovens)
- Avaliação cardiológica se indicado
Tratamento
O tratamento da oclusão venosa da retina evoluiu significativamente nos últimos anos. Não existe uma “cura” que reverta o bloqueio venoso, mas tratamentos modernos podem controlar as complicações, melhorar a visão e prevenir deterioração adicional.
Tratamento do Edema Macular
- Injeções Intravítreas de Anti-VEGF: Medicamentos como ranibizumabe, aflibercepte e bevacizumabe são injetados diretamente dentro do olho. Bloqueiam o fator de crescimento vascular endotelial (VEGF), reduzindo o vazamento de fluido e o edema macular. Geralmente são necessárias múltiplas injeções ao longo de meses, conforme protocolo individualizado.
- Implantes de Corticoides: Dispositivos de liberação lenta de corticoides (como dexametasona) podem ser implantados dentro do olho. São alternativas para pacientes que não respondem bem aos anti-VEGF ou têm contraindicações. O efeito pode durar de 3 a 6 meses.
Fotocoagulação a Laser
O laser pode ser utilizado em diferentes situações:
- Laser focal/em grade: Para tratar edema macular persistente em alguns casos de ORVR
- Panfotocoagulação: Para prevenir glaucoma neovascular em casos de isquemia retiniana extensa, criando pequenas queimaduras na retina periférica
Controle dos Fatores de Risco
Parte fundamental do tratamento envolve controlar as condições sistêmicas subjacentes:
- Controle rigoroso da pressão arterial: Fundamental para prevenir novas oclusões e progressão da doença
- Controle do diabetes: Se presente
- Redução do colesterol: Através de dieta e medicamentos se necessário
- Tratamento do glaucoma: Se pressão ocular elevada
- Parar de fumar: Essencial para saúde vascular
Acompanhamento na Verlux Oftalmologia
Na Clínica Verlux, contamos com oftalmologistas especializados em doenças da retina e equipamentos de última geração para diagnóstico e tratamento de oclusões venosas retinianas.
Nossa abordagem inclui:
- Avaliação completa com OCT e angiografia de alta resolução
- Tratamento com injeções intravítreas de anti-VEGF
- Laser de precisão quando indicado
- Monitoramento rigoroso e individualizado
- Coordenação com outros especialistas quando necessário
O prognóstico depende de vários fatores, incluindo tipo de oclusão, grau de isquemia, presença de edema macular e tempo até o início do tratamento. Com tratamento adequado e acompanhamento regular, muitos pacientes conseguem manter ou recuperar visão funcional.
Perguntas Frequentes
Não existe tratamento que "desobstrua" a veia bloqueada, mas há tratamentos muito eficazes para controlar as consequências da oclusão, especialmente o edema macular. Com injeções intravítreas de medicamentos anti-VEGF e acompanhamento adequado, muitos pacientes recuperam visão significativa. O controle dos fatores de risco sistêmicos (pressão alta, diabetes) é fundamental para prevenir novas oclusões.
A resposta ao tratamento varia individualmente. Alguns pacientes notam melhora da visão dias após a primeira injeção intravítrea, enquanto outros levam semanas ou meses. O tipo de oclusão, grau de isquemia e tempo até o início do tratamento influenciam a recuperação. Tratamentos geralmente requerem múltiplas injeções ao longo de 6-12 meses para melhores resultados.
Sim, há risco de desenvolver oclusão no olho contralateral, especialmente se os fatores de risco sistêmicos não forem controlados. Estudos mostram que cerca de 10-15% dos pacientes desenvolvem oclusão no outro olho em 3-5 anos. Controlar rigorosamente pressão arterial, diabetes e outros fatores de risco é essencial para minimizar esse risco.
O procedimento é realizado com anestesia tópica (colírios) e a maioria dos pacientes relata pouco ou nenhum desconforto. Pode haver sensação de pressão leve durante a injeção. Após o procedimento, é comum sentir leve irritação ou sensação de corpo estranho por algumas horas, que melhora rapidamente.
Procure atendimento oftalmológico urgente se você notar: piora súbita da visão, dor ocular intensa (pode indicar glaucoma neovascular), aumento de manchas flutuantes ou "moscas volantes", vermelhidão ocular persistente, ou qualquer alteração visual significativa. O acompanhamento regular conforme orientação médica é fundamental para detectar e tratar complicações precocemente.
Embora seja menos comum, pessoas jovens (abaixo de 50 anos) podem desenvolver oclusão venosa da retina. Nesses casos, é fundamental investigação mais ampla para identificar causas como trombofilias (tendência aumentada à formação de coágulos), doenças autoimunes, uso de anticoncepcionais orais em mulheres, ou outras condições hematológicas.
Não necessariamente. Atividade física regular é benéfica para controlar pressão arterial, diabetes e outros fatores de risco cardiovasculares. No entanto, imediatamente após injeções intravítreas, recomenda-se evitar exercícios intensos e atividades que aumentem muito a pressão intraocular por 24-48 horas. Converse com seu oftalmologista sobre restrições específicas.
Aviso Médico: Este artigo tem caráter informativo e não substitui a consulta com um profissional de saúde. A oclusão venosa da retina é uma emergência oftalmológica. Se você está experimentando perda visual súbita, agende uma consulta urgente com um oftalmologista especialista em retina na Clínica Verlux.