Doenças oculares são problemas oftalmológicos provocados por inúmeros motivos, desde causas genéticas até hábitos e estilos de vida inadequados. A médio e longo prazo, podem causar dificuldades progressivas na visão e, em casos graves não tratados, levar à cegueira irreversível.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), aproximadamente 285 milhões de pessoas atualmente têm deficiência visual no mundo. O dado mais importante é que entre 60% a 80% desses casos podem ser evitados ou tratados com acompanhamento oftalmológico adequado.
A prevenção e o diagnóstico precoce são fundamentais. Exames oftalmológicos regulares devem ser realizados pelo menos uma vez por ano, mesmo sem sintomas aparentes, pois muitas doenças oculares graves não apresentam sinais nas fases iniciais.
Índice
- Doenças Oculares que Causam Cegueira
- Doenças Oculares que Não Causam Cegueira
- Como Prevenir Doenças Oculares
- Quando Procurar um Oftalmologista
- Perguntas Frequentes
Doenças Oculares que Causam Cegueira
Algumas condições oftalmológicas, quando não diagnosticadas e tratadas adequadamente, podem evoluir para perda severa ou total da visão. Conhecer essas doenças é o primeiro passo para proteger seus olhos.
1. Degeneração Macular Relacionada à Idade (DMRI)
A DMRI é a principal causa de cegueira em pessoas com mais de 50 anos nos países desenvolvidos. Essa doença afeta a mácula, a parte central da retina responsável pela visão detalhada e das cores.
Como a DMRI Afeta Sua Visão
A doença causa lesão e deterioração progressiva na retina central (mácula), resultando em visão embaçada, distorções visuais (linhas retas parecem onduladas) e uma mancha escura no centro do campo visual. A visão periférica geralmente é preservada.
Existem dois tipos principais:
DMRI Seca (Atrófica): Representa 85-90% dos casos e progride lentamente. Depósitos amarelados chamados drusas se acumulam sob a retina. Não existe cura, mas suplementos vitamínicos específicos (AREDS2) podem retardar a progressão.
DMRI Úmida (Exsudativa): Mais rara (10-15% dos casos), porém mais agressiva. Vasos sanguíneos anormais crescem sob a retina e vazam líquido ou sangue. Requer tratamento urgente com injeções intravítreas de medicamentos anti-VEGF.
Sinal de Alerta: Se linhas retas parecerem onduladas ou surgir uma mancha escura central na visão, procure um oftalmologista imediatamente. Na DMRI úmida, o tratamento precoce pode preservar a visão.
2. Glaucoma
O glaucoma é frequentemente chamado de “ladrão silencioso da visão” porque geralmente não causa sintomas até que já tenha ocorrido dano significativo e irreversível ao nervo óptico. Esse nervo transmite as informações visuais do olho para o cérebro e, uma vez danificado, não pode ser regenerado.
Causa Principal
O glaucoma geralmente é causado pelo aumento da pressão intraocular devido à dificuldade de drenagem do humor aquoso (líquido que circula dentro do olho). Esse aumento de pressão danifica progressivamente as fibras do nervo óptico.
A perda visual causada pelo glaucoma começa pela periferia e avança gradualmente em direção ao centro. Como o cérebro compensa a perda periférica, muitas pessoas não percebem o problema até estágios avançados.
Fatores de risco importantes:
- Idade acima de 60 anos
- Histórico familiar de glaucoma
- Pressão ocular elevada
- Miopia alta ou hipermetropia alta
- Uso prolongado de corticoides
- Diabetes e hipertensão arterial
- Traumas oculares prévios
O glaucoma não tem cura, mas pode ser controlado com colírios, procedimentos a laser ou cirurgia. O acompanhamento regular permite que a maioria das pessoas preserve a visão funcional.
3. Retinopatia Diabética
A retinopatia diabética desenvolve-se em pacientes diabéticos, especialmente quando os níveis de glicose no sangue estão descontrolados por períodos prolongados.
Mecanismo da Doença
A alta concentração de glicose causa alterações nas paredes dos vasos sanguíneos da retina, tornando-os frágeis e permeáveis. Isso leva a vazamentos de líquido e sangue, crescimento de vasos anormais e, em casos graves, descolamento de retina.
A retinopatia diabética progride em estágios:
Estágio inicial (não proliferativa): Pequenos vazamentos nos vasos, geralmente sem sintomas visuais.
Estágio avançado (proliferativa): Crescimento de novos vasos anormais que podem sangrar dentro do olho, causando perda visual súbita.
Essencial para Diabéticos: Todo diabético deve fazer exame de fundo de olho anualmente, mesmo sem sintomas visuais. O controle rigoroso da glicemia é a melhor prevenção contra a retinopatia.
Doenças Oculares que Não Causam Cegueira
Embora menos ameaçadoras, estas condições podem causar desconforto significativo e impactar a qualidade de vida. Felizmente, têm tratamento eficaz.
1. Conjuntivite
A conjuntivite é a inflamação da conjuntiva, a membrana transparente que reveste a parte branca do olho e a parte interna das pálpebras. É uma das condições oculares mais comuns.
Tipos principais:
- Conjuntivite Viral: Causada por vírus (principalmente adenovírus). Altamente contagiosa, inicia geralmente em um olho e pode passar para o outro. Tratamento focado no alívio de sintomas, pois costuma se resolver espontaneamente em 1-2 semanas.
- Conjuntivite Bacteriana: Causada por bactérias. Caracterizada por secreção amarelada ou esverdeada. Requer tratamento com colírios antibióticos prescritos pelo oftalmologista.
- Conjuntivite Alérgica: Reação alérgica a pólen, ácaros, pelos de animais ou outros alérgenos. Causa coceira intensa, lacrimejamento e vermelhidão. Tratada com anti-histamínicos e colírios específicos.
Sintomas comuns: Olhos vermelhos, lacrimejamento, sensação de areia nos olhos, secreção e sensibilidade à luz.
2. Síndrome do Olho Seco
O olho seco resulta de produção inadequada ou qualidade deficiente das lágrimas, que são essenciais para manter a superfície ocular saudável e confortável.
Causas principais:
- Envelhecimento natural (produção lacrimal diminui com a idade)
- Fatores hormonais (menopausa)
- Uso prolongado de telas digitais (piscar menos)
- Medicamentos (anti-histamínicos, antidepressivos)
- Doenças autoimunes (Síndrome de Sjögren)
- Ambientes com ar condicionado ou vento
Sintomas: Sensação de areia nos olhos, ardor, vermelhidão, visão embaçada que melhora ao piscar, e paradoxalmente, olhos lacrimejantes (lágrimas de má qualidade).
Tratamento: Colírios lubrificantes (lágrimas artificiais), suplementação com ômega-3, procedimentos específicos como oclusão dos pontos lacrimais em casos severos.
3. Blefarite
A blefarite é a inflamação crônica das pálpebras, especificamente na base dos cílios. Embora não cause cegueira, pode ser persistente e incômoda.
Características da Blefarite
Inflamação das pálpebras caracterizada por vermelhidão, irritação, formação de crostas na base dos cílios, sensação de queimação e olhos secos. Frequentemente associada a dermatite seborreica ou rosácea.
Tratamento: Higiene palpebral diária com compressas mornas e limpeza das pálpebras, controle de condições de pele associadas, e em alguns casos, colírios ou pomadas antibióticas.
Como Prevenir Doenças Oculares
A prevenção é sempre mais eficaz e econômica do que o tratamento. Adotar hábitos saudáveis pode reduzir significativamente o risco de desenvolver problemas oculares graves.
Exames Oftalmológicos Regulares
Este é o passo mais importante. Consultas anuais com oftalmologista permitem a detecção precoce de doenças que não causam sintomas iniciais, como glaucoma e DMRI.
Frequência recomendada:
- Adultos saudáveis (18-60 anos): A cada 2 anos ou anualmente se usar óculos/lentes
- Após 60 anos: Anualmente para todos
- Diabéticos: Exame de fundo de olho anualmente, independente da idade
- Histórico familiar de glaucoma: Exames anuais a partir dos 40 anos
Alimentação Rica em Nutrientes para os Olhos
Estudos científicos demonstram que certos nutrientes ajudam a proteger a visão:
- Vegetais verdes escuros (espinafre, couve, brócolis): Rico em luteína e zeaxantina, antioxidantes que se concentram na retina
- Peixes de água fria (salmão, atum, sardinha): Fontes de ômega-3 com propriedades anti-inflamatórias
- Cenoura e batata-doce: Ricas em beta-caroteno, precursor da vitamina A
- Frutas cítricas: Fontes de vitamina C, antioxidante importante
- Oleaginosas: Fornecem vitamina E e zinco
Proteção Solar
Use óculos de sol com proteção 100% UVA e UVB sempre que estiver ao ar livre. A exposição acumulada aos raios ultravioleta aumenta o risco de catarata e degeneração macular.
Controle de Doenças Crônicas
Diabetes e hipertensão arterial descontroladas podem causar danos severos aos olhos. Mantenha essas condições sob controle rigoroso com acompanhamento médico, medicação adequada e estilo de vida saudável.
Não Fumar
O tabagismo aumenta drasticamente o risco de catarata (2-3 vezes) e degeneração macular (até 4 vezes). Parar de fumar é uma das melhores decisões para a saúde dos olhos.
Quando Procurar um Oftalmologista
Alguns sintomas requerem avaliação oftalmológica urgente. Procure atendimento imediato se apresentar:
- Perda súbita ou diminuição da visão
- Flashes de luz ou aumento súbito de moscas volantes
- Dor ocular intensa
- Visão dupla persistente
- Vermelhidão intensa com dor e fotofobia
- Trauma ocular
- Distorções visuais (linhas retas parecendo onduladas)
Na Verlux Oftalmologia, oferecemos atendimento com equipe especializada e tecnologia de ponta para diagnóstico e tratamento de todas as condições oculares.
Perguntas Frequentes
A frequência depende da idade e fatores de risco:
- Adultos saudáveis (18-60 anos): A cada 2 anos
- Após 60 anos: Anualmente para todos
- Diabéticos ou hipertensos: Exame de fundo de olho anualmente
- Histórico familiar de glaucoma ou DMRI: Exames anuais a partir dos 40 anos
- Usuários de óculos/lentes: Anualmente para verificar grau
Mesmo sem sintomas, exames preventivos são essenciais pois muitas doenças graves são silenciosas.
O glaucoma não tem cura definitiva, mas pode ser controlado efetivamente quando detectado precocemente. O objetivo do tratamento é reduzir a pressão intraocular para prevenir danos adicionais ao nervo óptico.
O tratamento pode incluir:
- Colírios diários para baixar a pressão
- Procedimentos a laser (trabeculoplastia)
- Cirurgias de drenagem (em casos avançados)
Com acompanhamento regular e tratamento correto, a maioria das pessoas com glaucoma preserva a visão funcional por toda a vida.
A catarata propriamente dita não pode voltar, pois o cristalino natural foi removido e substituído por uma lente artificial permanente. Porém, em 20-30% dos casos, pode ocorrer uma opacificação da cápsula posterior (membrana que segura a lente artificial), chamada catarata secundária ou opacificação capsular.
Essa condição é facilmente tratada com um procedimento a laser chamado capsulotomia YAG, que é rápido, indolor e resolve definitivamente o problema.
Os sinais de alerta mais comuns incluem:
- Visão embaçada que não melhora piscando
- Dificuldade para ler mesmo com óculos adequados
- Halos ao redor de luzes à noite
- Sensibilidade excessiva à luz (fotofobia)
- Moscas volantes (manchinhas que se movem no campo visual)
- Dor ocular persistente
- Vermelhidão que não melhora em 2-3 dias
- Distorções visuais (linhas retas parecendo onduladas)
Qualquer mudança visual repentina ou sintoma persistente deve ser avaliado por um oftalmologista.
Não necessariamente. O risco de desenvolver retinopatia diabética depende principalmente de:
- Controle glicêmico: Diabetes bem controlado reduz drasticamente o risco
- Tempo de doença: Quanto mais longo, maior o risco
- Tipo de diabetes: Tipo 1 e tipo 2 podem afetar os olhos
- Fatores associados: Hipertensão, colesterol alto e tabagismo aumentam o risco
Essencial: Todo diabético deve fazer exame de fundo de olho anualmente, mesmo sem sintomas visuais. O controle rigoroso da glicemia (HbA1c < 7%) é a melhor prevenção.
Não. A transmissibilidade depende da causa:
- Conjuntivite viral: Altamente contagiosa, principalmente nos primeiros 7-10 dias
- Conjuntivite bacteriana: Contagiosa enquanto houver secreção, mas menos que a viral
- Conjuntivite alérgica: Não é contagiosa, pois é uma reação alérgica individual
Prevenção de contágio:
- Lave as mãos frequentemente
- Não compartilhe toalhas, fronhas ou maquiagem
- Evite coçar os olhos
- Descarte lenços usados imediatamente
- Não frequente piscinas durante o período contagioso
No Brasil, a diferença é clara:
Oftalmologista:
- Médico com formação em Medicina (6 anos) + Residência em Oftalmologia (3 anos)
- Pode diagnosticar e tratar todas as doenças oculares
- Prescreve medicamentos e realiza cirurgias
- Registrado no Conselho Regional de Medicina (CRM)
Optometrista:
- Profissional com formação técnica ou superior em Optometria
- Pode realizar exames de refração e prescrever óculos
- Não pode diagnosticar ou tratar doenças, nem prescrever medicamentos
- Não pode realizar procedimentos cirúrgicos
Para diagnóstico e tratamento de doenças oculares, procure sempre um oftalmologista.
Aviso Médico: Este artigo tem caráter informativo e não substitui a consulta com um profissional de saúde. Para diagnóstico e tratamento adequados de doenças oculares, agende uma consulta com um oftalmologista especializado.