O glaucoma é uma das principais causas de cegueira irreversível no mundo, afetando milhões de pessoas. Conhecido como o “ladrão silencioso da visão”, essa doença ocular geralmente não apresenta sintomas até que o dano ao nervo óptico já esteja avançado, tornando a detecção precoce fundamental para a preservação da visão.

Estima-se que entre 2-3% dos brasileiros acima de 40 anos podem ter glaucoma, mas muitos desconhecem sua condição porque a doença progride de forma silenciosa. A boa notícia é que, quando diagnosticado precocemente, o glaucoma pode ser controlado e a perda de visão pode ser prevenida ou significativamente retardada.

Este guia completo foi elaborado pela equipe de especialistas da Verlux Oftalmologia para ajudá-lo a compreender o que é glaucoma, seus tipos, sintomas, fatores de risco, tratamentos disponíveis e, principalmente, como proteger sua visão através da prevenção e do diagnóstico precoce.

Índice

O Que É Glaucoma?

O glaucoma é uma doença ocular caracterizada por danos progressivos ao nervo óptico, a estrutura responsável por transmitir as informações visuais do olho para o cérebro. Esse dano geralmente está relacionado ao aumento da pressão intraocular (PIO), embora possa ocorrer mesmo com pressão normal.

O nervo óptico é composto por mais de um milhão de fibras nervosas. Quando essas fibras são danificadas ou destruídas, pontos cegos começam a se desenvolver no campo de visão. Infelizmente, esse dano é permanente e irreversível - as fibras nervosas não se regeneram.

ATENÇÃO: O glaucoma é a segunda maior causa de cegueira no mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). A maioria das pessoas não percebe que tem a doença até que já tenha perdido uma porção significativa da visão periférica.

Como o Glaucoma Afeta Sua Visão

A perda de visão causada pelo glaucoma acontece de forma gradual e geralmente começa pela visão periférica (lateral). O cérebro compensa essa perda usando a visão central, que inicialmente permanece intacta, razão pela qual muitas pessoas não percebem o problema nos estágios iniciais.

Com o tempo, sem tratamento, o glaucoma continua destruindo mais fibras do nervo óptico. A visão periférica se estreita progressivamente, criando o efeito de “visão em túnel”. Nos estágios avançados, até mesmo a visão central é comprometida, podendo levar à cegueira total.

Este processo pode levar anos ou décadas, dependendo do tipo de glaucoma e da velocidade de progressão. Por isso, exames oftalmológicos regulares são essenciais, especialmente após os 40 anos.

Tipos de Glaucoma

Existem vários tipos de glaucoma, cada um com características específicas:

Glaucoma de Ângulo Aberto (Primário)

O tipo mais comum, representando cerca de 90% dos casos. Desenvolve-se lentamente quando o sistema de drenagem do olho (malha trabecular) não consegue escoar adequadamente o humor aquoso, levando ao aumento gradual da pressão intraocular.

Característica Principal

Progride de forma lenta e silenciosa, sem sintomas perceptíveis até que o dano ao nervo óptico seja significativo. A visão periférica é afetada primeiro, mas a pessoa pode não notar até estágios avançados.

Glaucoma de Ângulo Fechado (Agudo)

Menos comum, mas potencialmente mais perigoso. Ocorre quando a íris bloqueia abruptamente o ângulo de drenagem do olho, causando aumento súbito e severo da pressão intraocular. É uma emergência médica que requer tratamento imediato.

Sintomas de Emergência

Dor ocular intensa, dor de cabeça severa, náuseas e vômitos, visão embaçada, halos ao redor das luzes, vermelhidão ocular. Se você experimentar esses sintomas, procure atendimento oftalmológico de emergência imediatamente.

Glaucoma de Pressão Normal (ou Baixa Tensão)

Neste tipo, o dano ao nervo óptico ocorre mesmo com pressão intraocular dentro da faixa considerada normal (abaixo de 21 mmHg). Acredita-se que o nervo óptico seja particularmente sensível ou que haja problemas na circulação sanguínea que irriga o nervo.

Glaucoma Congênito

Presente desde o nascimento ou desenvolvido nos primeiros anos de vida devido a defeitos no sistema de drenagem ocular. Os sinais incluem olhos muito grandes, lacrimejamento excessivo, sensibilidade à luz e córnea opaca ou nublada.

Glaucoma Secundário

Desenvolve-se como consequência de outras condições médicas ou uso de medicamentos. Causas incluem trauma ocular, inflamação crônica (uveíte), uso prolongado de corticosteroides, diabetes avançado, tumores oculares ou cirurgias oculares prévias.

Fatores de Risco

Conhecer os fatores de risco ajuda a identificar quem deve fazer exames oftalmológicos com maior frequência:

Idade: O risco aumenta significativamente após os 40 anos e continua subindo com o envelhecimento. Pessoas acima de 60 anos têm risco 6 vezes maior.

Histórico Familiar: Ter parentes de primeiro grau (pais, irmãos) com glaucoma aumenta o risco em 4-9 vezes. A predisposição genética é um fator importante.

Pressão Intraocular Elevada: Embora nem todos com pressão alta desenvolvam glaucoma, é o principal fator de risco modificável e controlável.

Origem Étnica: Pessoas de ascendência africana têm risco 3-4 vezes maior de desenvolver glaucoma, e a doença tende a aparecer mais cedo e progredir mais rapidamente.

Miopia Alta: Pessoas com miopia elevada (acima de -6 dioptrias) têm maior risco de glaucoma de ângulo aberto.

Condições Médicas: Diabetes, hipertensão arterial, doenças cardiovasculares e enxaqueca podem aumentar o risco de glaucoma.

Uso de Corticosteroides: O uso prolongado de corticosteroides (em colírios, comprimidos, inaladores ou cremes) pode aumentar a pressão intraocular.

Trauma Ocular: Lesões oculares, mesmo antigas, podem predispor ao desenvolvimento de glaucoma anos depois.

Sintomas e Sinais de Alerta

Os sintomas do glaucoma variam conforme o tipo:

Glaucoma de Ângulo Aberto (Crônico)

  • Ausência de sintomas nos estágios iniciais
  • Perda gradual e imperceptível da visão periférica
  • Visão em túnel nos estágios avançados
  • Nunca há dor ou desconforto nos estágios iniciais

IMPORTANTE: Por não causar sintomas iniciais, o glaucoma de ângulo aberto só é detectado através de exames oftalmológicos. Quando a pessoa percebe a perda de visão, o dano já é considerável e irreversível.

Glaucoma de Ângulo Fechado (Agudo)

  • Dor ocular súbita e intensa
  • Dor de cabeça severa
  • Náuseas e vômitos
  • Visão embaçada ou turva
  • Halos coloridos ao redor das luzes
  • Vermelhidão ocular intensa
  • Pupila dilatada que não responde à luz

EMERGÊNCIA MÉDICA: O glaucoma agudo de ângulo fechado é uma emergência oftalmológica. A pressão extremamente elevada pode causar dano permanente ao nervo óptico em questão de horas. Procure atendimento oftalmológico imediato se apresentar esses sintomas.

Diagnóstico do Glaucoma

O glaucoma é identificado através de um exame oftalmológico abrangente que avalia múltiplos aspectos da saúde ocular:

  • Tonometria (Medição da Pressão Ocular): Mede a pressão intraocular usando um tonômetro de aplanação (após anestesia tópica com colírio). Pressão normal varia entre 10-21 mmHg, mas valores acima não significam automaticamente glaucoma, assim como valores normais não excluem a doença.
  • Oftalmoscopia (Exame do Nervo Óptico): O oftalmologista examina o nervo óptico através da pupila dilatada, procurando sinais de dano como aumento da escavação (depressão central) e perda de fibras nervosas. Fotografias do nervo óptico permitem monitorar mudanças ao longo do tempo.
  • Campimetria (Teste de Campo Visual): Avalia a visão periférica e central através de um teste computadorizado onde você indica quando vê pontos de luz aparecerem em diferentes áreas. Detecta pontos cegos característicos do glaucoma e monitora a progressão da doença.
  • Gonioscopia (Exame do Ângulo de Drenagem): Usa uma lente especial para visualizar o ângulo entre a íris e a córnea, determinando se é aberto ou fechado. Fundamental para classificar o tipo de glaucoma e orientar o tratamento.
  • Paquimetria (Medição da Espessura da Córnea): Mede a espessura da córnea, que influencia a precisão da medição da pressão ocular. Córneas muito finas ou grossas podem levar a leituras imprecisas.
  • OCT (Tomografia de Coerência Óptica): Exame de imagem de alta resolução que cria “cortes” detalhados do nervo óptico e da camada de fibras nervosas da retina, permitindo detecção muito precoce de danos e monitoramento preciso da progressão.

A Clínica Verlux dispõe de tecnologia de ponta para todos esses exames diagnósticos, garantindo avaliação completa e precisa.

Tratamento

O objetivo do tratamento do glaucoma é reduzir a pressão intraocular para prevenir ou retardar a progressão do dano ao nervo óptico. A visão já perdida não pode ser recuperada, mas a perda adicional pode ser prevenida.

Colírios (Medicação Tópica)

A primeira linha de tratamento na maioria dos casos. Existem diferentes classes de colírios que reduzem a pressão ocular:

  • Análogos de prostaglandinas: Aumentam a drenagem do humor aquoso (latanoprosta, bimatoprosta, travoprosta)
  • Beta-bloqueadores: Reduzem a produção de humor aquoso (timolol, betaxolol)
  • Inibidores da anidrase carbônica: Diminuem a produção de fluido (dorzolamida, brinzolamida)
  • Agonistas alfa-adrenérgicos: Reduzem produção e aumentam drenagem (brimonidina)
  • Mióticos (colinérgicos): Aumentam a drenagem contraindo a pupila (pilocarpina)

O uso correto e consistente dos colírios é fundamental. Muitas pessoas precisam de mais de um tipo de colírio para controlar adequadamente a pressão.

Tratamento a Laser

Quando os colírios não são suficientes ou não são tolerados, procedimentos a laser podem ajudar:

Trabeculoplastia a Laser (SLT ou ALT): Melhora a drenagem do humor aquoso através da malha trabecular. Procedimento ambulatorial, indolor, com duração de 10-15 minutos. Efeito pode durar anos, mas pode precisar ser repetido.

Iridotomia a Laser: Cria um pequeno orifício na íris para facilitar a drenagem do humor aquoso. Principal tratamento para glaucoma de ângulo fechado. Previne crises agudas.

Cirurgia

Quando medicamentos e laser não controlam adequadamente a pressão, cirurgias podem ser indicadas:

Trabeculectomia: Cria um novo canal de drenagem para o humor aquoso sair do olho. Eficaz, mas com risco de complicações. Requer acompanhamento pós-operatório rigoroso.

Implantes de Drenagem (válvulas ou tubos): Dispositivos pequenos implantados no olho para facilitar a drenagem do humor aquoso. Indicados em casos mais complexos ou quando a trabeculectomia falhou.

Cirurgias Minimamente Invasivas (MIGS): Técnicas mais recentes, menos invasivas, com recuperação mais rápida e menor risco de complicações. Indicadas em casos leves a moderados.

O tratamento do glaucoma é individualizado, considerando o tipo e gravidade da doença, idade do paciente, condições de saúde geral e resposta a tratamentos prévios.

Prevenção e Cuidados

Embora o glaucoma nem sempre possa ser totalmente prevenido, a progressão e a perda de visão podem ser gerenciadas com sucesso:

1. Exames Oftalmológicos Regulares

A detecção precoce é a melhor prevenção contra a cegueira por glaucoma. Consultas de rotina permitem identificar a doença antes que sintomas apareçam.

Recomendações de frequência:

  • 40-54 anos sem fatores de risco: Exame completo a cada 2-4 anos
  • 55-64 anos sem fatores de risco: Exame a cada 1-3 anos
  • 65 anos ou mais: Exame anual
  • Com fatores de risco (qualquer idade): Exame anual ou conforme orientação médica

2. Conheça Seu Histórico Familiar

Converse com familiares para saber se há casos de glaucoma na família. Essa informação é crucial para determinar seu risco e a frequência adequada de exames.

3. Mantenha um Estilo de Vida Saudável

  • Exercícios físicos regulares: Atividade aeróbica moderada pode ajudar a reduzir a pressão intraocular
  • Alimentação saudável: Dieta rica em antioxidantes, vitaminas A, C e E, e ômega-3 pode beneficiar a saúde ocular
  • Controle de condições médicas: Mantenha diabetes e hipertensão sob controle rigoroso
  • Não fume: Fumar aumenta o risco de glaucoma e outras doenças oculares

4. Use Proteção Ocular

Traumas oculares podem predispor ao glaucoma. Use óculos de proteção em atividades de risco como esportes de impacto, trabalhos de construção ou jardinagem.

5. Cuidado com Corticosteroides

Informe seu oftalmologista se você usa regularmente corticosteroides em qualquer forma (colírios, comprimidos, inaladores, cremes). Pode ser necessário monitoramento mais frequente da pressão ocular.

6. Adesão ao Tratamento

Se diagnosticado com glaucoma, use os colírios exatamente como prescrito, mesmo sem sintomas. A adesão ao tratamento é fundamental para preservar sua visão.

Perguntas Frequentes









Aviso Médico: Este artigo tem caráter informativo e educacional, não substituindo a consulta com um profissional de saúde. Para diagnóstico preciso, tratamento adequado e acompanhamento do glaucoma, agende uma consulta com os especialistas da Verlux Oftalmologia em Campinas. A detecção precoce pode salvar sua visão.